Café é o maior gerador de empregos no campo

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Na sexta-feira, celebrou-se o Dia Nacional do Café. Produto que foi o pilar estruturador da industrialização e da modernização do Brasil e que, atualmente, além de ainda ser importante provedor de divisas à balança comercial nacional, tem um caráter social de suma importância, sendo o maior gerador de empregos no campo.

Entretanto, ao observarmos o cenário atual dos preços praticados pelo mercado, o setor produtor não tem muito a comemorar. Infelizmente, os fatores fundamentais - estreito equilíbrio entre oferta e demanda mundiais - vêm sendo descartados pelos agentes há tempos, fato que pressiona as cotações e faz com que os valores oferecidos para a saca de café situe-se muito abaixo dos nossos custos de produção.

Ciente dessa conjuntura de falta de renda e perda de competitividade dos produtores, o Conselho Nacional do Café (CNC) mantém seus trabalhos, junto ao setor privado e ao governo federal, para que encontremos saídas viáveis e rentáveis para esse momento. Cabe a nós, como representantes da produção, ouvirmos e analisarmos o que se passa e apresentarmos e defendermos propostas na esfera governamental para que sejam implementadas.

Nesse contexto, permanecemos à disposição dos produtores, representados por suas cooperativas, associações e/ou entidades, para que juntos encontremos o melhor caminho para darmos a volta por cima, alcançarmos rentabilidade na cafeicultura e não ficarmos tão dependentes das oscilações de preço do mercado internacional.

Embrapa - Neste ano, comemora-se os 40 anos de fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A estatal tem exercido importante papel no que tange a estudos de prevenção e também para a solução de problemas pontuais da agricultura do país. No caso da cafeicultura, por meio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela estatal, são apresentados inúmeros resultados positivos de transferência de tecnologia e informação aos produtores.

Através desse processo e da competência de nossos pesquisadores, obtivemos variedades mais resistentes a praga e doenças e a adversidades climáticas, além de possuírem maior produtividade, fato que elevou nossas safras médias e possibilitou que honrássemos nossos compromissos com o consumo interno e a exportação. Sem dúvida, a Embrapa é o exemplo mais bem sucedido no ramo de estudos e pesquisas que conhecemos, sendo motivo de orgulho nacional e uma instituição que devemos blindar para que prossiga com sua excelente prestação de serviço à agropecuária brasileira.

Mercado - A semana foi marcada por significativa queda das cotações internacionais dos cafés arábica e robusta. Na bolsa de Nova York, referência para a formação do preço da variedade arábica, o contrato C com vencimento em julho de 2013 registrou perda acumulada de 685 pontos até quinta-feira passada. Pela primeira vez, nos últimos três anos, foram atingidos níveis inferiores a US$ 1,30 por libra-peso. Uma pequena recuperação foi observada na quinta-feira devido à previsão de ocorrência de chuvas nas regiões produtoras brasileiras, o que pode atrasar os trabalhos de colheita e secagem do café no maior produtor mundial da commodity.

Diante das especulações de aumento no excedente da oferta mundial de café - com as quais o CNC não concorda -, alimentadas principalmente pela maior produção brasileira em um ciclo de baixa da bienalidade e do crescimento da safra 2013/14 da Colômbia, o arábica vem sofrendo sucessivas baixas em Nova York, desde o dia 14 de maio.

Esses movimentos têm incentivado a liquidação de posições compradas e concentração das apostas na continuidade da queda dos preços no curto prazo. Torrefadores têm adotado uma postura cautelosa nas compras, apostando no baixo risco de ocorrência de geadas nas origens brasileiras e aguardando a possibilidade de aquisição de café a valores ainda mais reduzidos.

A queda dos preços da variedade arábica também impactou negativamente o comportamento das cotações do robusta na bolsa de Londres. O contrato com vencimento em julho desvalorizou-se cerca de 2,5%, com perda de US$ 50 por tonelada até o fechamento de quinta-feira, situação também motivada pela expectativa de maiores ofertas de conilon no Vietnã e na Indonésia.

SILAS BRASILEIRO*

* Presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC) e deputado federal por Minas Gerais



Veículo: Diário do Comércio - MG


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