Consumo fraco pressiona pela ampliação do 'cartão escolar'

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Cenário. Frente à forte queda no tíquete médio das lojas e alta na tributação dos itens, oferecer o benefício aos alunos da rede pública seria a 'luz no fim do túnel' para estimular os varejistas


 
São Paulo - Ao amargar uma queda de 10%, em média, no tíquete médio gasto por consumidor entre junho de 2015 e agosto deste ano, o varejo de material escolar e corporativo enxerga no programa Cartão Material Escolar (CME) um alento para a crise que afeta o setor.
 
Segundo o diretor financeiro da Rede Brasil Escolar, entidade que representa mais de 70 papelarias em todo o País, Paulo Sbragi Junior, apenas a implementação do projeto geraria um aumento de, ao menos, 20% nas vendas dos lojistas nos locais e municípios onde o sistema é implantado, o que reduziria o impacto da crise na operação das varejistas.
 
"No mínimo, as vendas aumentariam em 20% com o benefício. Atualmente, os governos que disponibilizam material escolar para os alunos da rede pública representam a nossa maior concorrência. O cartão, que já funciona em algumas cidades, acabaria com esse problema", conta Sbragi.
 
Ao todo, 20 cidades brasileiras contam com o sistema que funciona com uma "bolsa auxílio" para os alunos da rede pública. Entre elas, Salto (SP) e Capivari (SP), onde cerca de 6,2 mil alunos receberam um benefício no valor de R$ 50 a serem gastos com materiais escolares nas papelarias credenciadas na região. Diante de uma queda de 10% no tíquete médio por consumidor, o diretor encara o programa como uma das soluções para aquecer o mercado de papelarias. "Estamos atravessando um período bastante difícil. O programa seria um incremento importante. Mas, apesar disso, registramos estabilidade nas vendas durante o primeiro semestre deste ano", diz Sbragi. Segundo ele, as vendas das papelarias brasileiras registraram avanço nominal de 10% entre janeiro e junho deste ano, frente ao mesmo período do ano passado, cifra que, descontada a inflação coloca o setor em situação de empate com o visto em 2015.
 
Mais produtos
 
Redes como a Armarinhos Fernando e a norte-americana Staples confirmam a dificuldade econômica momentânea informada por Sbragi, da Rede Brasil Escolar, mas dizem estar trabalhando mix maiores de itens para driblar o problema.
 
"Realizamos um trabalho diferenciado para atrair o consumidor até a loja pelo preço. Diminuímos nossa margem, mas aumentamos nossas vendas e o mix. Com essa estratégia, foi possível crescer 9% no período de volta às aulas deste ano, em comparação com a data sazonal de 2015", comenta o gerente-geral da Armarinhos Fernando, Ondamar Ferreira.
 
Com 16 lojas, a rede também diz trabalhar intensamente na negociação com fornecedores, em busca de melhores preços. Como as compras acontecem em grande volume, Ferreira conta que a indústria tem oferecido bons descontos para a varejista. "Os descontos são sempre repassados a nosso consumidor final. Isso tem dado certo", complementa.
 
Após registrar avanço nas vendas totais de 5,5% entre janeiro e junho de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado, a loja prevê alcançar um crescimento de até 12% no consolidado do ano.
 
Ampliar mercado

 
Já a estratégia da recém-chegada ao País Staples é fortalecer as vendas para as pequenas e médias empresas, tirando a pressão das vendas no período escolar. "Nesse momento de crise, tentamos mostrar ao nosso consumidor a vantagem em ter um único fornecedor em toda a linha de materiais indiretos. Além disso, hoje, temos uma célula de venda door to door também para a aquisição de PMEs e é uma das nossas verticais que tem trazido os melhores resultados", explica o supervisor de marketing da Staples no Brasil, Rafael Seferian.
 
A rede possui apenas uma loja física no País, o que faz parte da estratégia da companhia. Na internet, durante o período de volta às aulas, a procura por itens escolares, como mochilas, agendas e lancheiras, cresceu 150%, em comparação com períodos normais de vendas.
 
"Hoje, mais de 50% das nossas vendas são via internet. Ainda temos a figura do executivo de conta, através de atendimento telefônico, muito presente, mas a tendência é que os pedidos cada vez mais sejam fechados através da internet. Estamos atingindo uma maturidade que há alguns anos era difícil imaginar", comemora Seferian.
 
Sbragi Junior, da Rede Brasil Escolar, sinaliza que a estratégia entre as pequenas e médias vai na mesma direção das grandes, e ampliar o mix de produtos para itens como artesanato e brinquedos, aparece como uma solução para ampliar a receita e garantir vendas o ano todo.
 
Fonte: DCI


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