Unilever vai buscar mais eficiência no país

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Uma das tarefas do novo presidente da Unilever Brasil, o argentino Fernando Fernandez, que assumiu o cargo em setembro do ano passado, será tornar a operação mais eficiente para repassar "o mínimo possível" dos aumentos de custos das commodities ao consumidor. O ambiente altamente competitivo do mercado brasileiro de cuidados pessoais, limpeza e alimentos - segmentos nos quais a multinacional anglo-holandesa opera - reforça a necessidade de ganhar eficiência. Ao menos uma categoria já sofreu com a pressão das commodities: a de bebidas de soja, com a marca Ades.

Há uma semana, a companhia informou, no relatório de resultados globais do primeiro trimestre, que o crescimento das vendas da bebida perdeu fôlego no período, devido aos aumentos de preços motivados pela alta da soja. "Estamos investindo mais forte em publicidade da marca Ades e em tamanhos menores, para uso fora do lar", diz Fernandez. Ele se refere às embalagens de 200 ml, que podem ser levadas como lanche, por exemplo, e têm preço unitário menor que as de 1 litro e 1,5 litro.

A Unilever é líder disparada na categoria de bebidas de soja. Em 2010, tinha 44,9% de participação, bem à frente da segunda colocada, a Yoki, com 7,7%. Essa categoria movimentou R$ 1,2 bilhão no ano passado, segundo a Euromonitor.

Antes de vir para o país, Fernandez passou quatro anos à frente da Unilever nas Filipinas. Uma das semelhanças que ele enxerga entre o arquipélago e o Brasil é a complexidade do ponto de vista logístico. Lá, são mais de 7 mil ilhas; aqui, um gigante continental. Essa é uma das bagagens que ele traz para comandar a operação nacional. "No Brasil, ter uma presença nacional dá uma vantagem competitiva importante", diz Fernandez. A companhia tem hoje 11 fábricas e 29 centros de distribuição no país.

No Brasil desde 1930, a Unilever vende 700 produtos e 25 marcas no país. A filial é a segunda maior da empresa, com faturamento de R$ 11,9 bilhões em 2011, um crescimento nominal de 8,1%. A operação global cresceu 5% no mesmo período, para €46,5 bilhões.

Fernandez, de 45 anos, é formado em economia e está há mais de 20 anos na companhia. O executivo também já comandou o negócio mundial de cuidados com o cabelo, categoria na qual o Brasil é o primeiro mercado da Unilever.

Fabricante do xampu Seda, a Unilever lançou no ano passado no Brasil a marca de produtos profissionais TRESemmé. "Havia um 'gap' (vácuo) no mercado, de produtos de salão vendidos no mercado tradicional, e a TRESemmé já conquistou a liderança nos principais canais farma do país", diz Fernandez.

A empresa é líder no mercado de cuidados com o cabelo, mas a L'Oréal está se aproximando de sua posição. Na comparação entre 2010 e 2011, a Unilever perdeu 0,3 ponto percentual de mercado, para 16,2%, enquanto a L'Oréal conquistou 0,7 ponto percentual, chegando a 16%. A Procter & Gamble, dona de Pantene, também ganhou "share" no período, de 9,6% para 10,7%.

Passada a desaceleração sentida no último trimestre de 2011, Fernandez afirma que a companhia recuperou as vendas a partir de fevereiro e março e que cresceu acima do mercado no período. "Esperamos um crescimento saudável para 2012, de "um dígito alto", diz.

Fernandez substituiu o holandês Kees Kruythoff, que comandou a filial brasileira por três anos e assumiu a presidência do grupo na América do Norte em setembro.


Veículo: Valor Econômico


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