Venda de carnes natalinas deve ficar estável

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No embalo das festas de Natal e Réveillon, dezembro costuma impactar positivamente no setor de carnes. As indústrias lucram, especialmente, com as vendas de aves natalinas (como peru, chester e bruster) e cortes de suínos (temperados, lombo, pernil e tender).

A cadeia da suinocultura, por exemplo, se prepara desde setembro para o período, intensificando a produção de cortes especiais. Para além das linhas de festas, produtos com demanda bem distribuída durante o ano, como os processados, também possuem incremento das vendas. Na comparação com outros meses, a comercialização pode subir até 25%. Em relação ao mesmo período do ano passado, entretanto, manter os mesmos patamares em 2015 é considerado um resultado satisfatório.

"Estamos bastante cautelosos para o fim de ano principalmente pelo aumento do desemprego no segundo semestre", explica o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtores de Suínos (Sips), Rogério Kerber. Os abates, segundo o Sips, tiveram leve crescimento, na casa de 2%, mas há estoque disponível em caso de uma elevação da demanda além da projetada pelo setor. Enquanto isso, no que se refere aos preços, o consumidor deve encontrar produtos entre 5 e 10% mais caros. "A variação deve ficar dentro da expectativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) em razão da incorporação de custos relativos a negociações coletivas, energia elétrica e combustíveis", completa.

Quem está recebendo menos é o produtor. Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos (Acsurs), Valdecir Folador, os valores estão em R$ 3,85, para os criadores independentes, e R$ 3,13 para os integrados. Em 2014, o preço era de R$ 4,34. "O ano passado foi totalmente atípico, estamos em uma fase de ajustes entre oferta e demanda que reduz a possibilidade de preços melhores", pondera Folador. Os custos, por outro lado, passaram de R$ 2,90 por quilo para R$ 3,20 devido, especialmente, ao milho e ao farelo de soja mais caros. "Deve ser um final de ano de menos rentabilidade para o produtor", afirma.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) também vê com bons olhos a manutenção dos níveis de consumo. Para a entidade, o mercado gaúcho deve movimentar 70 mil toneladas de aves especiais e 22 mil toneladas de carne de peru. Chester e bruster devem ter preço médio de R$ 8,50 a R$ 9,50 o quilo, e o peru deve oscilar entre R$ 12,00 e R$ 14,00 o quilo. Os ajustes, com isso, variam positivamente entre 12% e 13% na comparação com o mesmo período do ano passado, em função, assim como no caso dos suínos, da elevação dos custos produtivos.

"A avicultura sempre foi cautelosa nos ajustes de preços para não espantar o consumidor, ainda mais em um momento de crise como o atual. Por isso, esperamos um 2015 parecido com 2014", explica o diretor executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos. Apesar disso, um ligeiro aumento nas vendas de fim de ano não é descartada devido à possibilidade de migração do consumo de proteínas mais caras, como a bovina, para os cortes de aves.

 



Veículo: Jornal do Comércio - RS


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