Iluminação eficiente traz benefícios que vão além da economia, auxiliam nas vendas com exposição mais atrativa e proporcionam bem-estar aos clientes
Por Roberto Carlessi
O uso racional de energia elétrica nos supermercados está ganhando escala com a ajuda da tecnologia e da conscientização de funcionários, gerentes, diretores e também dos consumidores, que estão cada dia mais ligados a questões de sustentabilidade e prezam empresas que desenvolvem ações para desonerar o meio ambiente de tudo o que possa prejudicá-lo.
Uma loja com projeto e distribuição de energia elétrica bem elaborados não só passa percepções de valor para seus clientes, mas também reduz gastos desnecessários, que poderão tornar-se percentuais de lucro mais elevados na última linha do balanço da empresa.
Tudo deve começar com um bom projeto de energia elétrica, que precisa estar perfeitamente adequado ao perfil e às características de cada loja, como um terno sob medida. Esse projeto deve contemplar todas as necessidades de cada área ou seção, visando proporcionar o máximo de segurança a clientes e funcionários.
No que se refere aos projetos de iluminação voltados para cada seção da loja, o gerente de produto da Osram do Brasil, Ronald Leptich, explica que existem quatro características principais que os responsáveis pela loja devem observar, para torná-las mais eficientes em termos de iluminação, sendo:
Quantidade de Luz Oferecida
Como as lojas normalmente ocupam espaços amplos, é imprescindível que as soluções utilizadas ofereçam boa quantidade de luz. “Estudos demonstram que ambientes mais iluminados são favoráveis à sensação de bem-estar do ser humano, algo muito desejado pelos lojistas em relação aos consumidores”, explica Leptich.
Índice de Reprodução de Cor
Precisa ser muito bem pensado para que os produtos possam ser visualizados da maneira mais agradável possível. Em cada seção da loja as lâmpadas devem reproduzir as cores reais dos produtos, fator importante para estimular o sentido visual do consumidor e mantê-lo interessado na compra.
Vida Útil
O terceiro item mais importante a ser observado é a vida útil dos equipamentos elétricos e das lâmpadas. Levando-se em conta que geralmente os pontos gerais de luz de uma loja estão localizados em lugares de difícil acesso (pé-direito elevado, por exemplo), dá-se a necessidade de a lâmpada ter vida útil elevada, para reduzir gastos com manutenção provocados por mau funcionamento, quebras e trocas.
Consumo de Energia
Como a rentabilidade do setor supermercadista transita por percentuais baixos, na faixa dos 2% aos 3%, para obter lucro é preciso que o lojista economize ao máximo, utilizando iluminação adequada, que pode ser gerada por lâmpadas fluorescentes tubulares, que ofereçam maior eficiência energética e menor consumo de energia, o que significa ter mais luz com menores custos de operação.
Outra opção são as lâmpadas conhecidas como T8, que podem durar até 90 mil horas, quando aliadas a reatores de boa qualidade.
“Para as áreas de vendas, a iluminação mais adequada é a que destaca as características dos produtos e das gôndolas e deve estar associada com IRC”, complementa Leptich.
Grandes formatos
Nos hipermercados, por terem área de venda maior e pé-direito mais alto, normalmente por volta de 5 a 6 metros, o mais comum é a utilização de luminárias para lâmpadas do tipo multivapor metálico com acabamento em policarbonato, que possibilita a dispersão da iluminação também para as laterais e o teto, sem criar ofuscamentos para o cliente e valorizando as estruturas do teto, com temperaturas de cor acima dos 4.200K (Kelvin), explica o lighting designer Naldo Bueno, pesquisador de novas tendências de iluminação e consequente uso racional de energia elétrica em lojas de varejo.
Essas lâmpadas proporcionam ao ambiente boa visualização dos produtos, sempre lembrando que deveríamos ter uma quantidade de luz acima de 500 lux nas áreas comuns e acima de 800 lux nas áreas dos caixas.
Outra dica é que as lâmpadas do tipo fluorescente têm evoluído muito, principalmente as T5, do modelo HO-High Power. Com essa evolução, as fluorescentes High Power já podem ser utilizadas de modo satisfatório, principalmente em hipermercados onde as áreas de cada seção são bem determinadas.
Naldo explica que já existem modelos dessas lâmpadas que não só proporcionam boa resposta de luz, mas também permitem escolher a temperatura de cor para áreas com aspecto mais frio ou para outras de aspecto mais quente, dependendo do tipo de produto exposto.
Formatos menores
No caso de pé-direito muito baixo, devem ser utilizados modelos de calhas com lâmpadas fluorescentes, e é sempre melhor usar os modelos de calha que têm aletas perpendiculares à lâmpada, para evitar ofuscamento.
Em alguns projetos é possível proporcionar à iluminação da loja diferentes temperaturas de cor, com as luminárias quase invisíveis e muita economia de energia elétrica.
Em alguns corredores, complementa Naldo, sancas e luminárias com LEDs proporcionam iluminação confortável e bonita. “Esse tipo de luminária de LED tem vida útil muito elevada e é muito econômico, com temperatura de 3.000K. Essas luminárias podem ser usadas para iluminar colunas, quadros e detalhes da arquitetura, gerar resultados exclusivos e passar a percepção de requinte ao local de compras”, define Naldo.
Tanto a cor das gôndolas, que quanto mais claras mais refletem a iluminação, quanto a disposição delas e a largura dos corredores podem influir diretamente na iluminação que chega aos produtos.
Corredores estreitos e pé-direito baixo podem gerar muitas sombras. Isso não significa que o supermercadista vai precisar usar mais lâmpadas para solucionar esse problema.
Trabalhar com linhas de iluminação que acompanhem o centro dos corredores é o melhor no caso de corredores estreitos e pé-direito baixo.
Uma forma de evitar sombras é colocar iluminação na testeira das gôndolas. Além de ficar bem mais próximo dos produtos, esse tipo de iluminação proporciona conforto e boa visualização aos produtos, com custo bastante reduzido de energia elétrica.
Temperatura
As lâmpadas com temperaturas de cor entre 4.200K e 5.600K têm um branco-azulado (chamado branco frio), que proporciona a sensação de o ambiente estar frio, enquanto as lâmpadas com temperaturas de cor entre 3.000K e 3.200K (chamado branco morno), mais parecido com a iluminação solar, com céu sem nuvens, dão a sensação de o ambiente estar mais quente.
Na seção do açougue, a iluminação tem o importante papel de passar a imagem de frescor ao produto, que não fica boa se o sistema de iluminação utilizar tons azulados, que passam para ele a sensação de que está pálido ou passado.
No setor de padaria é preciso observar que a iluminação não deve passar dos 3.200K, para proporcionar um aspecto de pão quente e valorizar o tom natural dos pães, depois que eles saírem do forno.
No setor de hortaliças, as lâmpadas devem proporcionar iluminação que valorize aspectos como o frescor dos produtos.
Em gôndolas com testeiras iluminadas, além das lâmpadas fluorescentes T5 de apenas 16mm de espessura, existe uma grande quantidade de barras de LEDs que podem ser instalados não só nas testeiras, mas também prateleira por prateleira. Com baixo consumo de energia e vida útil bastante elevada, essas lâmpadas têm a vantagem de ter apenas 12mm de largura, 5mm de altura e 300mm de comprimento. Elas também são muito interessantes para a maioria das seções da loja, principalmente perfumaria e bazar.
Áreas externas
Já a iluminação da fachada do supermercado deve estar alinhada com as estratégias de comunicação visual de cada rede.
Por exemplo, se o objetivo for chamar a atenção, uma boa opção é o uso de módulos de LED capazes de criar efeitos como o wall washed (parede lavada).
Os estacionamentos, de maneira geral, precisam de luz suficiente para gerar segurança nos consumidores. Para eles, são indicadas lâmpadas vapor de sódio de alta pressão, ideais para iluminação de exteriores, uma vez que têm alta eficiência luminosa e longa durabilidade.
Outra alternativa são as lâmpadas de multivapores metálicos com tubo de tecnologia de quartzo, que proporciona alta eficiência luminosa e boa distribuição de luz.
Uma tendência para a área externa seria não somente fazer a iluminação chapada do prédio com refletores muito potentes, o que consome muita energia, mas diminuir a potência dos refletores de iluminação chapada e também utilizar luminárias de embutir no chão, próximas das colunas e empenas do prédio, com lâmpadas de vapor metálico HQI de 150w. Com foco fechado, esse tipo de iluminação alcança facilmente 15 metros de altura e proporciona aspecto de requinte ao prédio no período da noite.
Iluminação zenital
Outra forma de o supermercadista reduzir os custos de energia elétrica é utilizar iluminação natural (zenital) aliada a dômus e a grandes janelas, o que parece ser tendência em várias lojas no Brasil, diante da característica ensolarada do País.
Os dômus prismáticos têm função bastante eficiente, pois distribuem bem os raios solares que chegam na cúpula e são direcionados para o interior da loja, refletindo mais de 60% dos raios infravermelhos. Ou seja, não permitem que parte do calor que vem junto com a luz solar atinja o interior da loja e reduzem custos com energia elétrica e ar condicionado.
Em algumas épocas do ano eles permitem boa iluminação natural por até nove horas por dia, o que resulta em grande economia de energia elétrica.
Fonte: Revista SuperHiper Julho de 2010