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Líderes de Vendas
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Liderança em foco

 

Evento anual para homenagear os líderes de vendas do autosserviço contou com a participação de centenas de executivos da indústria. Eles conheceram de antemão a metodologia e os principais dados da pesquisa Líderes, viram números do setor e as competências essenciais de um líder, apresentadas em palestra.

 

 

Dia 1º de março, o Supermeeting Líderes de Vendas, realizado na sede da Abras, em São Paulo, divulgou e certificou as indústrias que produziram as marcas mais vendidas no autosserviço em 2011. São 220 produtos premiados, 22 deles pertencentes à nova cesta de eletroeletrônicos. Além de apresentar os mais vendidos do ano passado, o evento foi oportunidade para que os participantes conhecessem os principais dados da Pesquisa Líderes de Vendas, realizada há 13 anos por Nielsen e SuperHiper.

O presidente da entidade, Sussumu Honda, abriu o evento para dar aos espectadores um panorama geral do setor. Mostrou a todos, com base em dados Nielsen, que o crescimento de vendas desacelerou em 2011 porque aconteceu o mesmo com o cenário econômico nacional, que foi mais contido.

Todavia, destacou que o crescimento real de vendas tem sido bastante expressivo há algum tempo e resultou em expansão orgânica acelerada dos supermercados. "O incremento foi de nada menos que 31% nos últimos cinco anos e, com isso, tivemos grande aumento do número de lojas e clientes", destacou Sussumu.

Sobre o que esperar daqui por diante, o presidente da entidade divulgou as expectativas de vendas da Abras para 2012. De acordo com ele, a situação não mudará muito e o desempenho, até agora, está muito parecido com o de 2011, quando se registrou crescimento de 3,71%, em volume. "A previsão é de 3,5% a 4% este ano. Acredito que possamos angariar vendas nesse ritmo porque, mesmo com crise na Europa, dependemos muito mais do mercado interno, o que torna nossa condição mais confortável."

Na sequência, o gerente de Atendimento da Nielsen, Fábio Gomes, apresentou a metodologia e as estatísticas da pesquisa. Deu o panorama geral das líderes de mercado, como posicionamento de preço, participação em valor nas cestas de consumo, percentual de marcas líderes nas áreas auditadas, categorias em que há mais pulverização e concentração delas, entre outras informações.

 

 

Palestra motivadora

 

O filósofo, autor de dezenas de livros, e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mário Sérgio Cortella, ministrou palestra intitulada A arte de liderar. Propôs, inicialmente, reflexões sobre o tema. Segundo ele, liderar é conduzir com excelência. E excelência é aquilo que excede, que vai além.

Para o educador, a data de realização do evento não poderia ser mais oportuna porque, até 50 anos antes de Cristo (a.C.), 1º de março era o primeiro dia do ano e isso só foi mudado pelo imperador romano Julio César no ano seguinte, 51 a.C. "Os romanos dedicavam esse dia ao deus Marte, o deus da Guerra. Ele abençoava a excelência e era um líder, por isso a data nos inspira a pensar que liderar é ter capacidade de inovar."

No Brasil, há forte atração pelo óbvio, pela facilidade com que a obviedade acalma, conforme o palestrante. "Dizemos muito a expressão faço o que posso, mas ela é perigosa. Gosto muito de um rap da banda Charlie Brown Junior chamado 'Faço o que posso'. Na letra, há uma frase do latim que diz: o impossível não é um fato e sim uma opinião. Barack Obama, aos 10 anos, disse à avó: vou ser presidente, e ela respondeu: vai que você pode. Daí ele tirou o lema Yes, we can."

Para sustentar a excelência nos negócios, Cortella enumerou cinco competências essenciais à liderança, de acordo com ele. O primeiro tópico abordado foi "abrir a mente". Primeiramente, destacou que o mundo está mudando e a novidade é a velocidade dessa mudança. A fim de ilustrar, falou sobre seus alunos da geração Z. Jovens que nasceram a partir do meio da década de 1990 e que já são clientes dos supermercados.

"O aluno que entrou este ano na universidade nasceu em 1994 e não conheceu Ayrton Senna. E alguns fazem negócios da época em que éramos bons em Fórmula 1. A mudança é tamanha que, se Senna pousasse hoje no aeroporto de Congonhas, não conheceria boa parte das companhias áreas, equivalentes a 90% da aviação brasileira atual."

Os supermercados com aproximadamente 20 anos de vida, criados nesse período — início da década de 1990 — foram usados como exemplo pelo docente. Segundo ele, donos de empresas maduras devem tomar cuidado porque a melhor maneira de cair é achar que está completamente seguro no que se faz. Alertou que pessoas sem incertezas não abrem a cabeça para o diferente e deixam de prestar atenção ao que não conhecem. "É essencial fazer revisão crítica de si mesmo num mundo repleto de mudanças. Como disse Guimarães Rosa: o animal satisfeito dorme."

Com essa citação, encerrou a primeira fase da palestra. Prosseguiu ao apresentar a segunda competência de um líder que, segundo ele, é "elevar" a equipe. Ou seja, valorizar os colaboradores e abolir atitudes oportunistas, que "usam" as pessoas e depois as descarta. "A fidelização ao trabalho se dá quando o empregado sabe que crescerá junto à organização. O mercado é altamente competitivo, mas é decisivo um ambiente onde há elevação da equipe e que esta entenda a importância que tem no processo produtivo."

 

 

Terceira competência: inovar a obra

 

Com essa abordagem, Cortella deu continuidade à palestra. Afirmou que liderar é ter habilidade para recriar e não insistir em continuar no mesmo caminho, em vez de inovar os próprios produtos. "Inovar a obra nem sempre é ter o inédito, mas também dar vitalidade ao antigo. Para isso, é essencial ter humildade intelectual, o que não significa ser subserviente."

O professor universitário deu exemplos de como empresas se mantêm firmes no mercado por terem habilidade em renovar e dar vigor ao antigo. Elas sabem que os consumidores valorizam produtos que lembrem a infância e que apreciam a tendência do old fashion, na qual há estima por releituras do passado.

"Comida feita no forno a lenha é valorizada porque hoje é diferencial essa forma de preparo. A Cola-Cola é fabricada há mais de um século, mas tem capacidade de manter a pujança do antigo. Steve Jobs criou o iPhone e agora vende um Iphone maior, o iPad, porque novamente queremos telas maiores."

A ressalva de Cortella para que processos de inovação tenham êxito é a paciência, premissa para que haja sucesso em projetos estratégicos, como criação de produtos e campanhas de marketing. "Ano passado, cresceu em 30% a procura por profissionais com mais de 50 anos porque eles têm paciência, persistência e resistência durante trabalhos estratégicos."

A quarta competência é recrear o espírito, conforme Cortella. Trata-se de levar alegria ao local de trabalho. Alegria não é descompromisso, como fez questão de enfatizar. Sob o ponto de vista dele, o contrário de seriedade é descomprometimento. Então, é possível ser sério e sentir-se bem ao trabalhar.

O educador complementou ao dizer que recrear o espírito também é ter capacidade de reconhecer os méritos de cada membro da equipe, não só no âmbito monetário. "Claro que o aspecto financeiro é importante, mas não é só isso, senão várias profissões não existiriam. A geração Y [dos nascidos de 1980 a 1993 e formadores de boa parte da massa trabalhadora dos dias de hoje] quer partilhar da autoria do trabalho, ser reconhecida e feliz no que faz."

A quinta competência de um líder é conseguir empreender o futuro. Mencionou frase do artista francês Pierre Dac: "o futuro é o passado em preparação" para alertar sobre a necessidade de ser proativo em um mundo com mudanças tão velozes.

No entanto, ao falar o provérbio vindo do latim "não se pode controlar a direção dos ventos, mas é possível reorientar as velas", alertou que a liderança deve ser audaciosa, mas não aventureira. Usou o exemplo do navegador brasileiro Almir Klink, pois ele prepara, avalia e estuda as estruturas antes de empreender qualquer viagem em seu veleiro.

Em seguida, em tom figurativo, advertiu que as velas só podem ser orientadas quando se sabe para onde quer ir. Destacou trecho do livro Alice no país das maravilhas (Charles Lutwidge Dodgson sob o pseudônimo de Lewis Carroll, Reino Unido,1865) que fala exatamente sobre isso. Alice, que estava perdida, vê um gato no alto de uma árvore, o Gato Cheshire, e lhe pede informação.

Veja o diálogo:
(...) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui? – pergunta Alice.
— Isso depende muito de para onde quer ir — responde o Gato.
— Para mim, acho que tanto faz... — disse a menina.
— Nesse caso, qualquer caminho serve — afirmou o Gato.

 

Fonte Portal Abras