Faça “chuva” ou “sol”, setor cresce
Em meio a mais um capítulo da crise internacional, o autosserviço mantém sua trajetória ascendente (há oito anos só cresce) e alcança R$ 224,3 bilhões. Mais uma vez, os supermercados foram os grandes responsáveis pelos números positivos do setor
Com ou sem crise, o autosserviço cresce. Foi assim em 2009, quando os reflexos da primeira onda da crise internacional molharam nossa economia, e o setor ainda assim cresceu de forma significativa (6,5%), apesar de o PIB ter patinado na ocasião, com crescimento deflacionado inferior a 1%.
Agora, enfrentando a segunda onda da crise, os números da economia nacional mais uma vez deixam um gosto de quero mais (nosso PIB deflacionado cresceu apenas 2,7%), mas novamente o setor se mostra resistente ao choque e avança 4,4%, mantendo a rota ascendente do faturamento do autosserviço e alcançando R$ 224,3 bilhões de receita. Isso quer dizer que, pelo oitavo ano seguido, o setor aumenta suas vendas.
É verdade que a participação do setor no PIB, apesar do crescimento, se mantém tecnicamente estável, com ligeira perda, para ser preciso, já que era 5,48% em 2010 e passou a ser 5,41% do PIB em 2011. Esse dado parece conflitar com o anterior, afinal como pode o setor ter crescido mais que o PIB sem aumentar sua fatia?
“O deflator usado pelo IBGE é outro e contempla mais ramos de atividades que o deflator
das vendas do setor, o IPCA [Índice de Preço ao Consumidor Amplo]. A diferença do impacto dos deflatores pode ser verificada pelo crescimento nominal do PIB e das vendas do setor. O setor cresceu 11,3% e o PIB, 12,7%”, informa o gerente do Departamento de Economia da Abras, Flávio Tayra.
De qualquer maneira, a diferença dos deflatores é necessária e não inviabiliza a validade do crescimento real, porque o valor do PIB envolve universo muito mais amplo de atividades (construção civil, atacado, exportações, indústrias em geral, etc.) do que o valor das vendas do setor. Assim, o desempenho do autosserviço continua a ser excelente, até pelas circunstâncias geopolíticas desfavoráveis.
Razões para justificar esse desempenho não faltam. Do ponto de vista macroeconômico, não é novidade que o Brasil está mais sólido e resistente a crises internacionais. A estabilidade monetária, conquistada há quase duas décadas e preservada pelos últimos cinco governos, é uma das principais contribuintes. Políticas sociais de inclusão de pessoas no mercado de consumo também cumprem papel importantíssimo.
Mas a contrapartida do setor é inegável. As empresas de autosserviço não se cansam de
reinventar-se para oferecer ano a ano, mês a mês e dia a dia o melhor serviço possível aos consumidores. Novos formatos surgem, velhos são reciclados, tudo com vistas a se adequar ao mutante comportamento de consumo do brasileiro.
Os números do estudo da Nielsen estão aí e não nos deixa mentir. O autosserviço (que inclui também lojas com apenas um check-out) melhorou seus indicadores: aumentou o número de lojas, de 81,1 mil para 82 mil unidades (1,1%); de funcionário s, de 919,9 mil para 967,7 mil (5,2%); área de vendas, 19,7 mil m2 para 20,6 mil m2 (4,4%); e de check-outs, 199,3 mil para 206,6 mil (3,6%).
Veículo: Revista SuperHiper abril de 2012

