Análises Especiais
Revelam tendências e oportunidades Para onde o setor caminha? Quais as atuais apostas do varejo? Para esclarecer essas perguntas, o Ranking Abras tradicionalmente mergulha em uma série de questões estratégicas para revelar o comportamento do setor perante temas como participação das seções, dos meios de pagamentos, logística, automação, mão de obra e novos nichos de atuação Analisar o desempenho de diversas frentes relacionadas ao dia a dia do varejo é fundamental para a condução dos negócios. Com base nas informações de centenas de empresas, o Ranking Abras traçou um panorama sobre quesitos estratégicos para a gestão das redes supermercadistas. Os dados consolidados têm por objetivo revelar tendências e oportunidades, nortear decisões e oferecer subsídios para o planejamento de todos os elos que integram esse mercado. Na liderança das seções de uma loja, a mercearia seca, que concentra a comercialização de diversas commodities e itens básicos de consumo, registrou uma importância nas vendas de 23,1% em 2011, ante 23,4% do ano anterior. Na sequência, os perecíveis, representados por itens como laticínios, frios e congelados, ampliaram a sua importância, passando de 13,8% para 14,7%. Com análise separada dos demais perecíveis, o açougue respondeu por 8,4% de participação, um aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao ano anterior. A mercearia líquida, outra área bastante relevante para o setor, contou com aumento nas vendas, passando de 12,2% para 12,6%. A seção de FLV, por sua vez, também ampliou ligeiramente a sua representatividade, fechando o ano com 6,3%. Enquanto a participação dos itens de limpeza caseira saltou de 4% para 6,2%, a seção de higiene e perfumaria caiu 1,8 ponto percentual, passando de 8% em 2010 para 6,2% em 2011. O setor de eletroeletrônicos também sofreu retração, fechando o ano com 5,6% das vendas, ante 7,4% em relação ao exercício anterior, o que é explicado por 2010 ter sido ano de Copa do Mundo e pelo setor ter contado com redução de impostos. A representatividade dos produtos importados aumentou em 2011, passando de 2,1% para 3,8% das vendas. Preços mais acessíveis e aumento de renda da população, que estimula a experimentação, justificam o aumento. Em relação aos orgânicos, embora presente em uma quantidade maior de pontos de venda, a média de participação deste gênero ficou praticamente estável, fechando o ano com 0,5% das vendas. Em 2011, 30% dos respondentes declararam que trabalham com produtos orgânicos, frente aos 27% pontuados no ano anterior. Formas de pagamento A maneira como os consumidores pagam suas compras também revelam o comportamento do setor. Compreender essa dinâmica auxilia a estratégia de negócios do varejo e previne investimentos equivocados. Nesse sentido, a modalidade preferida dos brasileiros continua sendo o dinheiro, que tem registrado aumento gradativo em sua utilização desde 2008. No ano passado, essa forma de pagamento respondeu por 36,8% das compras, ligeiro aumento em relação ao período anterior, que ficou em 36,6%. O crescimento do pequeno varejo e a existência de uma parcela significativa da população que ainda não possui conta bancária são os principais influenciadores dessa margem. Na sequência está o cartão de crédito de terceiros, ou seja, de bandeiras como Visa, Mastercard e outras. Esse sistema representou 21,1% das transações, um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao ano de 2010. O aumento em questão é atribuído ao fato de grandes redes terem registrado um maior fluxo de pagamento por meio desta modalidade. Já a utilização de cartão de crédito próprio caiu de 13,8% para 12,6% em 2011 e, no mesmo período, o cartão de débito também registrou uma pequena redução, respondendo por 16,9% dos pagamentos. Somada as três modalidades de cartões, no entanto, eles continuam sendo maioria e representam 50,6% das transações do setor. A prevalência das formas eletrônicas de pagamento é justificada pela busca do consumidor por praticidade, comodidade e segurança e também pelo aumento de renda da população e a facilidade de acesso a credito, representando, assim, um importante indicativo socioeconômico que vem se consolidando gradativamente. Outros meios mantiveram-se estáveis, como o cheque pré-datado (3,3%), tíquete alimentação (6,4%), cheque à vista (1,8%) e convênio/descontos em folha (0,6%). No que diz respeito aos sistemas eletrônicos de compras, os dados mostram que a maioria dos consumidores ainda prefere escolher suas mercadorias diretamente nos pontos de venda. O sistema delivery respondeu por 2,8% da importância das vendas, enquanto no ano anterior essa margem havia ficado em 3,8%. Os pedidos realizados por telefone caíram um ponto percentual em 2011, fechando o período em 2% das comercializações. Já as compras feitas pela internet responderam por 0,8% das vendas não presenciais – a mesma média de 2010. Logística e automação O aumento pela demanda de alimentos exige cada vez mais agilidade no abastecimento das lojas. Problemas nessa área podem comprometer a competitividade das empresas e gerar prejuízos significativos ao setor. Cientes dessa máxima e focadas em sua eficiência logística, 39,8% das empresas respondentes declararam possuir centro de distribuição próprio. Outras 19,6% terceirizam esse tipo de operação. Das 500 maiores empresas do setor, 66,4% possuem frota própria, o que representa um total que supera a marca dos 5,4 mil veículos. Questionadas sobre a intenção de adquirir caminhões próprios em 2012, 11% das companhias afirmaram que pretendem investir na aquisição de novos veículos. Ainda dentro do conceito de eficiência operacional, a automação das lojas também é um importante quesito na busca por agilidade, organização e boas condições para atender as mais diversas exigências dos clientes. Nesse cenário, 88,8% das empresas se declararam automatizadas, enquanto apenas 0,6% consideram que não cumprem com esse quesito. Funcionamento e mão de obra Os varejistas brasileiros estão trabalhando cada vez mais. Os respondentes afirmaram que 35% das lojas funcionam 24 horas, enquanto no exercício anterior as lojas que trabalhavam ininterruptamente representavam 26% do setor. Aumento significativo também foi verificado na quantidade de lojas que abrem aos domingos e feriados. Em 2011, 81% das companhias disseram atuar nestes períodos, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. Com relação à mão de obra, as mulheres, definitivamente, tornaram-se maioria. Pela primeira vez o contingente masculino foi superado. Com base no Ranking, 50,6% dos pontos de trabalho no varejo foram ocupados pelas mulheres. No período anterior, a margem havia ficado em 50% para cada lado. Em 2011, também cresceu a utilização de mão de obra de portadores de necessidades especiais e de profissionais acima dos 60 anos. Esses grupos representaram, respectivamente, 2,2% e 1,6% do total dos cargos ocupados. Projetos paralelos Como forma de ampliar a rentabilidade e a sustentabilidade de seus negócios, o varejo também se mobiliza para ampliar o seu leque de atuação. Dentro das lojas, o foco dos varejistas é oferecer serviços que gerem conveniência e praticidade aos clientes. Destes, 73,9% trabalham com recarga de celulares, 55,7% possuem cartão de crédito próprio, 61% disponibilizam serviços bancários e 50,9% têm restaurantes e lanchonetes. Para este serviço, a alta foi de 9%. Já a oferta de postos de combustíveis registrou alta de 8,3%, totalizando 12,4% dos respondentes que atuam nesse segmento. Outros serviços também contaram com aumento de participação, como magazine (16,2%), farmácias (17,5%), casas lotéricas (13,2%) e serviços de viagem (5,3%). Externamente, 13% atuam com agronegócios, 4,6% possuem postos de combustíveis fora das imediações das lojas, 8% possuem restaurantes e lanchonetes, 3,6% trabalham com serviços bancários e 4% operam farmácias. Os dados também revelam que 5,2% estão na indústria, 3,6% trabalham com material para construção, 2,8% têm construtoras, 1,6% atuam com magazines, 1,2% com casas lotéricas e 0,4% oferecem serviços de viagem. Projetos sociais A realização de ações socialmente responsáveis passou de 56,7% para 57,5% em 2011. Cada vez mais os varejistas estão apostando nessas iniciativas como forma de contribuir para o desenvolvimento das comunidades que os cercam e para externar os valores que permeiam a sua atuação. As ações que envolvem alimentação lideram o ranking dos projetos sociais com 51,3%. Na sequência vêm esportes (38,6%), cultura (38,2%), educação (33,5%) e saúde (25,5%). Programas sociais de outros gêneros respondem por 38,9% das iniciativas. Por distribuição geográfica, as Regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos projetos com respectivos 37,8% e 34,6%. Na sequência, vêm Norte/Nordeste, que concentram 21,5% das ações, e Centro-Oeste, que responde por 6,2% das iniciativas de cunho social. Veículo: Revista SuperHiper abril de 2012

