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Economia e Pesquisa

O termômetro das perdas do setor


Em 2016, as perdas do autosserviço brasileiro somaram R$ 7,11 bilhões, de acordo com estudo conduzido pela Abras. Confira as seções da loja que mais sofreram e as ações que os supermercados estão realizando para evitar prejuízos


17º Avaliação de Perdas nos Supermercados Brasileiros 2017 (clique aqui para baixar o PDF).


As perdas são um desafio inerente à atividade supermercadista e é preciso conhecê-las, medi-las e preveni-las para combatê-las e remediá-las. Cada item que não cruza o natural e esperado caminho do check-out é sinônimo de prejuízo e, no ano passado, a cifra perdida pelo setor ficou maior, de acordo com o 17º Estudo Nacional sobre Prevenção de Perdas nos Supermercados, realizado pela Abras.


O índice de perdas no autosserviço cresceu 0,14 ponto percentual (p.p.), passando de 1,96% do faturamento bruto do setor, em 2015, para 2,10%, no ano passado. Em valores absolutos, as perdas somaram R$ 7,11 bilhões, ante os R$ 6,19 bilhões contabilizados no período anterior. Já com relação às perdas sobre o faturamento líquido, o índice também registrou alta: de 2,26% para 2,28%.


Essa diferença no índice, em grande parte, é explicada pela variação na base de respondentes, que nesta edição ficou maior. No total, 339 empresas supermercadistas compartilharam suas informações para ajudar na composição dos indicadores relacionados às perdas do setor, alta de 12,2%. A maior parte das unidades operadas por essas companhias (39%) é constituída por pequenos estabelecimentos, com até 500 m2. Essa fatia de lojas foi a que apresentou maior variação positiva sobre o estudo anterior: salto de 2,9 p.p.


Um sinal positivo trazido pela avaliação é que a maior parte do setor segue exercendo uma gestão profissionalizada de prevenção de perdas, visto que 59,7% dos respondentes possuem uma área dedicada a essa missão.

Dentre as empresas que também participaram da pesquisa passada (comparação dos mesmos CNPJs), observa-se que a presença da área de prevenção cresceu neste grupo: passou de 60,7%, em 2015, para 62,3%, em 2016.


“É sempre bem-vinda a notícia de que mais empresas estão empregando esforços para combater as perdas nas lojas. Quando se dá este passo, o nível de compreensão e clareza sobre as causas e o impacto das perdas no negócio crescem exponencialmente. O resultado são subsídios que auxiliam na definição de estratégias em prol da prevenção e do aumento da rentabilidade”, afirma o superintendente da Abras, Márcio Milan. “Relevante, também, é observar que em 42% das empresas a área de prevenção de perdas se reporta diretamente à presidência, sinalizando o caráter estratégico que esta função possui para as companhias. Isso contribuiu muito para o trabalho de prevenção, cuja missão é manter o comando das empresas abastecidas de informações que favoreçam a tomada de decisões”, conclui. No estudo anterior, que analisou os dados referentes a 2015, este indicador foi de 35%.


A 17a Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados é fruto do trabalho conjunto entre o Departamento de Economia e Pesquisa da Abras e o Comitê de Perdas da Abras. Ele também contou com a colaboração do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA), responsável por agregar todas as informações (sem ter acesso à identificação das empresas participantes) e confeccionar o relatório final.




Seções mais vulneráveis


São nas áreas de produtos perecíveis que estão os maiores desafios para o controle das perdas, fato que demanda maior atenção e acompanhamento do supermercadista. Em 2016, a seção de FLV continuou puxando a fila do ranking das maiores perdas, com índice de 6,09%. Este resultado, no entanto, está 0,49 p.p. abaixo da média registrada no estudo anterior (veja tabela), sinalizando que o setor vem promovendo melhorias na gestão e operação deste setor.


Na sequência, dentre as seções com os maiores índices de perdas, estão a padaria/confeitaria (4,70%), rotisseria (3,99%), peixaria (3,26%) e carnes (3,07%). Por outro lado, as cinco seções com as menores médias de perdas são eletrônicos (0,46%), limpeza (0,70%), mercearia líquida (0,79%), pet (0,86%) e mercearia seca (1,06%).


Com relação às principais causas das perdas, de acordo com os respondentes da pesquisa, a quebra operacional lidera as fontes de prejuízo, com 29% de participação.

Em seguida, estão desafios como furto externo (18%) e erros de inventário (15%). Ou seja, estes três quesitos são o gatilho de 62% das perdas registradas pelo setor. 


Completam a lista os erros administrativos (9%), furto interno (8%) e falhas dos fornecedores (8%). Mergulhando ainda mais no universo da avaliação, é possível analisar também os índices de perdas não identificadas e identificadas das seções que compõem a oferta de perecíveis e não perecíveis nas lojas. Importante destacar que a consolidação deste índice é sobre o faturamento líquido das empresas.


A começar pelas subtrações não diagnosticadas pelo varejo, a perda de perecíveis está em 1,98% e a de não perecíveis em 0,82%. Já o índice de perdas conhecidas em perecíveis ficou em 2,03% e, em entre os não perecíveis, em 0,38%. Considerando somente as perdas identificadas, 25,3% delas referem-se a produtos com validade vencida. Este é um ponto que merece ainda mais atenção por parte do varejo, pois, no estudo anterior, essa média estava em 17,8%.


Os produtos vencidos, especialmente na seção de laticínios, é uma das principais causas de perdas da catarinense Giassi. Para prevenir problemas como este, a rede vem apostando no aperfeiçoamento dos seus processos, e uma das estratégias mais recentes foi a contratação de uma consultoria especializada para lhe ajudar nesta missão. “O objetivo foi certificar e melhorar diversas práticas relacionadas ao recebimento e armazenamento, na reposição das gôndolas e, até mesmo, em relação ao registro de informações nos PDVs”, conta o gerente de Prevenção de Perdas, Ederson Fernandes. “As chaves da prevenção estão na capacitação dos funcionários e na estruturação de controles eficientes.”


Como exemplo de controle, o gerente cita o trabalho realizado em torno do recebimento dos FLVs nas lojas, que obrigatoriamente é acompanhado pelo supervisor desta seção. “Assim, sempre que surge algum problema que possa afetar a qualidade dos produtos, ele é identificado prontamente, permitindo que a loja tome as devidas providências, como solicitar a troca da mercadoria ao fornecedor”, conta.


A rede Giassi tem um histórico consistente voltado à prevenção de perdas. É graças a este trabalho que a rede obteve um índice de perdas inferior à média deste estudo. De acordo com Fernandes, a média registrada no ano passado foi de 1,07% sobre o faturamento bruto, praticamente o mesmo resultado obtido em 2015, quando o índice ficou em 1%. A área de prevenção de perdas do Giassi é subordinada à diretoria comercial e à presidência.


Atualizado em 18 de Setembro de 2017