Indicador criado em 2010 pelo Banco Central antecipa resultado do PIB. Números de agosto mostram que a economia está em desaceleração. Apesar desse movimento, o setor supermercadista está otimista em relação às vendas de final de ano.
Por Flávio Tayra*, Gerente do departamento de economia e pesquisa da Abras
Já sentindo os efeitos da crise internacional, a economia brasileira começa a desacelerar. No acumulado de janeiro a agosto, diante de igual período do ano anterior, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) aponta elevação de 3,43%, mas registrou queda de 0,53% no mês de agosto, comparado a julho. A redução de 0,53% reverteu o quadro de julho, quando foi registrado aumento de 0,34% em relação a junho. No acumulado dos 12 meses encerrados em agosto, o resultado é um crescimento de 4,07%, mantendo a tendência de redução (em julho, estava em 4,52% e em março, em 6,26%).
O IBC-Br mostra o comportamento de variáveis essenciais para o desempenho de três setores básicos da economia: agropecuária, indústria e serviços. O indicador antecipa o Produto Interno Bruto (PIB) – soma das riquezas produzidas no País – medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do momento de moderação, o supermercadista está otimista em relação às suas vendas de final de ano. A Pesquisa de Natal Abras 2011 revelou que o empresário do setor espera um aumento, em faturamento nominal, de 15,6% nas vendas durante o período de festas de final de ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O otimismo do setor para o Natal e Réveillon de 2011 ficou acima do registrado em 2010, quando a expectativa de crescimento nas vendas foi de 12,5%.
Os supermercadistas brasileiros aumentaram as compras de todos os produtos de Natal em relação ao mesmo período do ano anterior.
Cerveja, com 16,8%; frutas nacionais da época, com 16,3%; e refrigerante, com 16,1%, foram os produtos com maior percentual de aumento de encomendas em reais. Peixes frescos e congelados, que no ano passado estavam entre os itens de menor crescimento, com 6,8% e 9,1% respectivamente, este ano apresentam forte recuperação, com 14,2% e 15,3%. Os produtos de menor crescimento percentual de encomendas em 2011 foram peru, com 4,5%, e tender, com 3,9%, em relação a 2010.
As vendas de importados continuam a merecer destaque nas encomendas dos supermercadistas brasileiros, despontando importados tradicionais (azeites, azeitonas, queijos, embutidos, entre outros), com 14,0%, seguidos por frutas especiais (12,9%) e vinhos (12,2%).
O consumo deve continuar aquecido para o setor, avaliam as empresas, porque a crise internacional ainda não mexeu com o nível de emprego e a renda do brasileiro.
Índice de Vendas - O setor supermercadista continua crescendo de forma consistente em 2011. Segundo o Índice Nacional de Vendas, apurado pela Abras, as vendas do setor apresentaram crescimento de 3,70% em relação ao mesmo mês do ano anterior e queda de 0,75% em relação ao mês de agosto.
No acumulado de janeiro a setembro de 2011 as vendas cresceram 4,21%, em termos reais, ou seja, deflacionados pelo IPCA/IBGE. Em valores nominais, as vendas do setor apresentaram queda de 0,22% em relação ao mês anterior. Comparadas a setembro de 2010, houve aumento de 11,29%. No acumulado de janeiro a setembro, cresceram 11,10%.
Os números do autosserviço mostram que esta deverá ser a tendência para o final do ano. Desde maio, o resultado acumulado do setor tem se situado entre 4,5% e 4,2%, o que mostra que na base anual as vendas dos supermercados têm apresentado resultado bastante estável. Para os últimos meses do ano, a pesquisa de Natal da Abras mostrou que a dinâmica deverá ser mantida, dado o otimismo do setor.
Abrasmercado - Em setembro, o AbrasMercado, cesta de 35 produtos de largo consumo nos supermercados, analisada pela GfK, apresentou crescimento de 1,36% em relação ao mês de agosto, que havia apresentado aumento de 2,14%. No acumulado de 12 meses o AbrasMercado apresenta crescimento de 10,71%, enquanto o IPCA Alimentos registra 9,93% no mesmo período. No acumulado do ano, o AbrasMercado registra queda de -0,21%.
Os valores da cesta básica vendida nos supermercados aumentaram em setembro, ficando em R$ 306,42. Nos últimos três meses, eles ficaram em: R$ 295,98 em julho (queda de -1,09% em relação a junho); R$ 302,32 em agosto (aumento de 2,14% em relação a julho) e R$ 306,42 em setembro. Os produtos com as maiores quedas no mês de setembro em relação a agosto foram: tomate, -7,47%; cebola, -6,13% e batata, -2,50%. Já os produtos com as maiores altas foram: leite longa vida, 4,90%; queijo prato, 3,13%; e café torrado e moído, 3,11%.
Exceto a região Norte, as demais regiões do Brasil registraram aumento na cesta básica no mês de setembro. A região Sul ficou com a cesta mais cara do País e apresentou a maior variação, 3,38% (R$ 342,08), enquanto a Norte, ocupando a segunda posição, apresentou R$ 340,04, variando -0,18%. A região Nordeste continua com a cesta básica mais barata do País, R$ 251,94, com variação de 0,36% em relação ao mês de agosto.
Veículo: Revista SuperHiper novembro de 2011