Com alta do dólar, importado fica até 15% mais caro no Natal

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Varejistas vão segurar parte dos repasses para manter as vendas 

 

           
Quem gosta de uma ceia de Natal cheia de produtos importados pode se preparar para preços até 15% maiores este ano. O dólar subiu 14,2% desde setembro e deve pesar sobre as importações de bacalhau, panetones, frutas secas, azeites, vinhos e espumantes, mesmo que muitas encomendas tenham sido feitas há mais tempo.

— Nossa expectativa é que o preço ao consumidor este ano seja de 10% a 15% maior devido ao dólar, além de custos como folha salarial e inflação. E não há espaço para repassar tudo porque há perda do poder de consumo — afirma o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba), Adilson José Santos Carvalhal Junior.

A Abba projeta recuo de até 5% nas vendas de importados. A avaliação de varejistas é que, com inadimplência em alta e renda comprometida, há pouco espaço para o repasse. E parte do aumento acaba sendo absorvido.

— Devemos ter importados entre 5% a 8% mais caros este ano. Alguma coisa a gente acaba absorvendo, senão o consumidor reduz a quantidade de compras e a gente perde no volume — afirma Sérgio Leite, diretor da rede Mundial.

CONSUMIDORES FAZEM SUBSTITUIÇÕES


Leite conta que as encomendas para o fim de ano já foram feitas, mas o fechamento do câmbio só ocorre na chegada do item. Em setembro, quando as negociações ocorreram, o câmbio estava em torno dos R$ 2,20. Agora, está a R$ 2,50.

Na rede de supermercados Zona Sul, a estratégia é evitar ao máximo repasses do dólar, a fim de aumentar de 15% a 18% o volume de vendas, diz o vice-presidente comercial, Pietrangelo Leta:

— Fazemos um planejamento com muita antecedência. Recebemos os primeiros panetones italianos em agosto, por exemplo. Tem um custo de estoque, mas minimiza o impacto do câmbio. Em média, os importados devem ficar de 5% a 8% mais caros, mas há produtos quase no mesmo preço de 2013, como azeites.

Apesar do incremento nos custos, o setor como um todo aposta em alta de 14% nas vendas. Sussumu Honda, presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), diz que a alta do dólar não deve impactar de forma significativa as vendas nas festas de fim de ano, já que as compras são feitas com antecedência.

— Alguns itens podem ter menos presença em algumas lojas, e os consumidores podem optar por produtos nacionais.

Diante dos reajustes, os consumidores se desdobram. A procuradora Iza Lia Munhoz encomenda a ceia em restaurantes, mas compra frutas secas no varejo: — O dólar tem impacto no preço. Helena Klajman e Sheila Klajman, mãe e filha, também esperam gastar mais com bacalhau, frutas secas e vinhos neste ano.

— Sabemos que as compras sairão mais caras. Somos judias, mas comemoramos o Natal, como brasileiras — diz Sheila.

Os preços de frutas secas sofrem impacto, também, da quebra das safras de nozes, ameixa e uva-passa no Chile e de damasco na Turquia, explica Leta, do Zona Sul. A alta ficou acima de 30%, mas só parte disso será repassada.

SETOR DE BRINQUEDOS ESTÁ ANIMADO

Por outro lado, a alta do dólar levou otimismo aos fabricantes nacionais de brinquedos, que este ano esperam retomar 5% da fatia de mercado perdida para os chineses. O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista, espera alta de 12% nas vendas frente ao Natal de 2013.

— Os importados vão encalhar por causa do preço — diz Batista, lembrando que o câmbio só afetará os fabricantes nacionais em 2015 e que o Natal responde por 35% do faturamento anual do setor, só atrás do Dia da Criança (38%). (LUCIANNE CARNEIRO Colaborou Lino Rodrigues)



Veículo: O Globo - RJ


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