Em dia de jogo, brasileiro evita até ir à farmácia

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No período da Copa do Mundo da Fifa, os consumidores brasileiros estão mais preocupados com a aparência do que com a saúde. As vendas de medicamentos para doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, e de remédios vendidos sem receita, como analgésicos, estão menores do que o verificado em maio, de acordo com companhias do setor. A procura por itens de higiene pessoal e beleza, por sua vez, está mais alta, mas não o suficiente para compensar a perda de receita das farmácias.

Na rede Pague Menos, terceiro maior grupo de varejo farmacêutico país, as vendas em junho apresentaram queda entre 5% e 6% nas lojas, disse Francisco Deusmar de Queirós, presidente da Pague Menos. De acordo com o executivo, nos dias em que uma capital sedia um jogo do Brasil e é decretado feriado, as vendas nas lojas da cidade chegam a cair 50%. "Em dia de jogo do Brasil tudo para. Mesmo em outras cidades onde não há feriado o movimento cai", afirmou.

Queirós ponderou que a queda do movimento durante a Copa já era previsto e que a rede projetava uma redução maior nas vendas, da ordem de 10%. "Está ruim, mas até que não foi tão ruim quanto se esperava", acrescentou. A Pague Menos não realizou campanhas específicas relacionadas à Copa e não chegou a fazer promoções para estimular as vendas de produtos.

O executivo disse que itens de higiene e cuidados pessoais, como protetores solares e desodorantes apresentaram crescimento de um dígito em junho em comparação a maio e em relação ao mesmo mês do ano passado. Ele ponderou, no entanto, que esse segmento de produtos responde por 30% da receita das farmácias e, por isso, o aumento não compensou a queda de vendas na área de medicamentos.

Na rede gaúcha Panvel, com mais de 300 lojas na região Sul, as vendas cresceram 7% em relação a junho de 2013, quando a expectativa da empresa era de crescimento zero, disse o vice-presidente Júlio Mottin Neto. "Não foi tão ruim", avalia. Mesmo assim, a expansão no mês correspondeu à metade dos 14% acumulados de janeiro a maio, também em relação com idêntico intervalo de 2013.

A Panvel responde por 65% do faturamento do grupo Dimed, que no primeiro trimestre do ano teve receita líquida consolidada de R$ 443,2 milhões, com alta de 11,4% ante o mesmo intervalo de 2013. Conforme Mottin, o maior impacto da Copa foi sentido em Porto Alegre e Curitiba, que sediaram jogos da competição. Nessas cidades, que concentram pouco mais de 120 lojas da rede, as vendas caíram à metade do normal para a época do ano. "O que deixamos de vender corresponde ao movimento equivalente a um Dia dos Namorados, que é nossa terceira melhor data do ano", diz.

Apesar da desaceleração da demanda, a Panvel não recorreu a liquidações para atrair os consumidores e confia em recuperação no segundo semestre para cumprir a meta de crescer 16% no acumulado do ano. Segundo Mottin Neto, a razão do otimismo é que a maior parte dos feriados de agora até dezembro cairá em fins de semana. "O calendário será muito favorável para o varejo neste período", comenta.

Na Farmadelivery, que vende produtos pela internet, o número excessivo de feriados não afetou as vendas, que se mantiveram em linha com as expectativas, de acordo com José Luiz de Oliveira Neto, diretor de marketing da companhia. As vendas on-line em junho somaram R$ 6,9 milhões, ante R$ 4 milhões no mesmo mês de 2013, uma alta de 47%. Por não ter lojas físicas, o movimento ficou dentro do esperado, disse Oliveira.

O resultado também foi favorecido por campanhas promocionais antes da Copa para estimular as vendas. "Metade dos nossos clientes fazem compras de forma recorrente. Foi importante sugerir a esse público antecipar compras de itens que adquirem de forma frequente antes da Copa", disse. Oliveira afirmou ainda que houve aumento nas vendas de itens como aparelhos para medir a pressão (esfigmomanômetro), inaladores e umidificadores, que têm valor agregado mais alto..

A demanda por produtos de cuidados pessoais favoreceu farmácias e redes de cosméticos. A Mahogany elevou as vendas em 9% em junho frente ao mesmo mês de 2013. A rede fez promoções e lançou produtos para turistas, segundo Brian Drummond, gerente de marketing do Laboratório Sklean, empresa detentora da marca Mahogany. Mesmo com crescimento, o desempenho ficou abaixo do projetado para a companhia no ano, de 10%.



Veículo: Valor Econômico


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