Preço da comida dispara e faz o consumidor pesquisar mais

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De 145 itens alimentícios pesquisados pelo IBGE, 91 aumentaram mais que a inflação no ano

 

Quem foi ao supermercado comprar comida por esses dias teve dificuldade de comemorar o recuo de 0,4% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) na comparação entre junho e maio deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas prateleiras, essa queda não é perceptível. “Subiu tudo: arroz, feijão, óleo, leite, café”, lista a dona de casa Renata de Castro, 44. O próprio IBGE confirma essa percepção. Entre os 145 itens alimentícios pesquisados pelo instituto, 91 apresentaram, no acumulado do ano, um aumento acima do IPCA-15, que foi de 4,62%. Alguns itens apresentam um aumento até dez vezes maior, como feijão carioca (54%), batata inglesa (47,6%) e mamão (77%).

“As pessoas falam muito do combustível que subiu, mas o problema maior é a comida. Até porque o combustível você para de colocar, mas não tem jeito de parar de comer”, avalia Renata. O jeito é pesquisar.

O professor de finanças do Ibmec Ricardo Couto explica que, no caso da comida, uma das dificuldades é justamente a limitação das substituições. “É o caso do feijão, que estamos vendo. A produção no país caiu, mas o consumo se manteve, e isso faz com que o preço dispare. E para o brasileiro é muito difícil abrir mão do arroz com feijão”, explica o professor.

A açougueira Rosali Alves do Nascimento, porém, abriu mão. “Hoje (ontem) não comprei feijão. Nesse preço, não comprei. Eu adoro, mas minhas filhas falaram que não precisava, então eu deixei. Tem que pesquisar para achar o preço menor também”, opina.

Para a dona de casa Vânia Rodrigues, 50, o consumidor deve trocar os produtos e levar os mais baratos. “Tenho trocado produtos, mudado de marcas, porque a minha renda não está acompanhando o aumento dos preços”, avalia.

Como funciona. Ricardo Couto explica que o IPCA-15 nem sempre reflete o aumento dos alimentos porque o preço do produto é influenciado por fatores como safra e demanda internacional. “O consumidor deve saber que o índice da inflação considera uma cesta ampla de produtos. Então, um produto pode ter subido muito de preço, mas o peso é pequeno no resultado final”, explica. Segundo Couto, alguns fatores ajudam para a baixa da inflação. “É o caso do dólar. Ele foi o grande vilão da inflação no ano passado. Mas, em 2016, com a estabilização, tem mantido alguns preços estáveis”, diz.

Perspectiva

Queda. Para o professor do Ibmec Ricardo Couto, a tendência é que a inflação comece a ceder. “Neste ano ela deve fechar em torno de 7% e caminhar para o centro da meta (4,5%) em 2017”, avalia.

Feijão subiu 125% nos supermercados de BH

O aumento dos preços dos alimentos é sentido por quem vai aos supermercados de Belo Horizonte e região metropolitana. Uma pesquisa do site Mercado Mineiro em 11 estabelecimentos da capital mostrou que, de janeiro a junho deste ano, o feijão carioca chegou a subir mais de 125%, passando de R$ 5,53 para R$ 12,49 o kg.

O feijão, porém não está sozinho. O molho de tomate de 340 gramas, segundo o estudo, subiu, no mesmo período, 88,89%, já que custava R$ 1,89 em janeiro, em média, e está R$ 3,57 em junho.

O aumento está gerando uma busca pelo menor preço nos supermercados. “No último domingo, estive em quatro supermercados, e hoje (ontem) estou em outro. Compro alguns produtos em uma loja e outros em outra, para garantir o menor preço”, afirma o comerciante Afrânio Maia, 61. Para a esposa de Afrânio, Maria Elisa Maia, os supermercados remarcam mais do que o necessário. “Eles colocam alguns produtos na promoção, mas descontam no preço de outro”, opina. (LP)

 

Veículo: Jornal O Tempo


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