Vigor se diz 'confortável' para aquisições em 2015

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Depois de "digerir" o efeito em suas contas do investimento de US$ 410 milhões na compra de 50% do laticínio mineiro Itambé, no ano passado, a Vigor Alimentos, do grupo J&F (holding que controla a JBS), agora se sente "confortável" para retomar a estratégia de aquisições em 2015, indicou ontem o CEO da companhia, Gilberto Xandó, durante encontro com analistas e investidores.

 

 



Assim que comprou a Itambé, a Vigor viu seu índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em 12 meses) subir para 4 vezes, o que desencadeou um processo de melhora do perfil financeiro que agora está completo, abrindo espaço para novas aquisições. No fim de setembro, o índice caiu a 2,6 vezes, já abaixo da cláusula restritiva ("covenants") de 3 vezes prevista para 2015, conforme os termos de uma debênture emitida pela Vigor para financiar a aquisição da Itambé.

"Podemos estar preparados em 2015 para, de repente, fazer outro movimento", disse Xandó, ressaltando a importância da queda da alavancagem. No radar da Vigor, estão regiões nas quais não conta com fábricas - Norte, Nordeste e Sul. "Esses movimentos fazem sentido", afirmou ele, quando questionado por um analista sobre os passos da Vigor nos próximos anos.

Apesar de admitir que está "confortável" para fazer aquisições, Xandó disse não haver data para deflagrar esses movimentos de expansão e que esse processo dependerá das oportunidades que surgirem.

Durante o leilão judicial de vendas de ativos da LBR - Lácteos Brasil, Vigor e Itambé fizeram ofertas por fábricas localizadas em Garanhuns (PE) e Tapejara (RS). No leilão, porém, ambas foram batidas pela ARC Medical Logística, que ficou com as duas fábricas (ver LBR muda planos para suas operações remanescentes).

Para Xandó, expandir as operações da Vigor - e da Itambé - para outras regiões do país é fundamental para tornar a empresa mais "nacional". No caso da Vigor, forte em São Paulo, a principal tacada nesse sentido foi justamente a compra de 50% da Itambé, que é proeminente em Minas Gerais mas também tem vendas relevantes de leite em pó no Nordeste, no Centro-Oeste e no Rio de Janeiro. Além disso, a Vigor assumiu uma fábrica de lácteos que a BRF construía em Barra do Piraí (RJ). "Éramos uma empresa mais paulistana. Com a Itambé, ficamos mais presentes no Brasil", disse.

Com a expansão geográfica permitida pela Itambé, a Vigor, favorecida pela ampliação de sua estrutura de distribuição, desbancou a Nestlé na liderança do mercado brasileiro de iogurte grego nas leituras feitas pela Nielsen em setembro e outubro, afirmou o executivo. Segundo ele, a Vigor apareceu com 32% do mercado nacional de iogurte grego.

O iogurte grego estreou no Brasil no ano passado e se tornou o carro-chefe da Vigor em meio à estratégia de "reprecificação" do portfólio para ampliar as vendas de produtos de maior valor agregado. Essa estratégia já ajudou a Vigor a ampliar a margem Ebitda - tanto no que diz respeito apenas à controladora (que desconsidera as operações da Itambé) quanto nos resultados consolidados. No primeiro caso, a margem saltou de 5,8%, no terceiro trimestre de 2013, para 10,6% em igual período deste ano. Conforme Xandó, é possível fazer com que essa margem ultrapasse 15%, ainda que ele ressalte que essa não é uma meta.

Já nos resultados consolidados, que somam Vigor e Itambé e geraram um faturamento anual superior a R$ 4 bilhões em 2014, a margem Ebitda cresceu de 6,1% para 7,5% no comparação entre os terceiros trimestres de 2013 e 2014. Nesse caso, também é possível vislumbrar margens maiores, devido ao processo de reprecificação de portfólio pelo qual Itambé também passará.

Xandó também reafirmou o desejo da Vigor de, no futuro, assumir 100% da Itambé. Mas isso depende da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), dona dos outros 50% da empresa.



Veículo: Valor Econômico


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