Produção de refrigerantes ainda patina

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Até agora, nem o verão particularmente quente, no início do ano, e a Copa do Mundo foram capazes de dar grande impulso ao mercado de refrigerantes em 2014. Enquanto a produção de cerveja cresceu 11,2% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, a fabricação de refrigerantes aumentou apenas 1,2% em volume, segundo dados prévios da Receita Federal. O desempenho tímido vem após um ano de queda - em 2013, a produção de refrigerantes recuou 3,6% ante 2012. Para companhias líderes do setor, no entanto, o cenário de médio a longo prazo é otimista.

O refrigerante está presente na casa de quase todos os brasileiros, mas as fabricantes veem espaço para aumentar a frequência de consumo. Por isso vêm investindo em embalagens para distintas ocasiões e no lançamento de produtos considerados mais saudáveis, com menos açúcar e até com fibras.

"Grande parte da população ainda pode evoluir economicamente, agregando mais gente ao mercado de consumo", diz o vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, Marco Simões. O volume de vendas da líder do setor recuou 1% no ano passado, após nove anos de alta. No primeiro trimestre deste ano, o volume cresceu 4%, na comparação anual. "Ainda estamos longe do potencial total. A gente acha que dá para crescer a participação [da Coca-Cola] e também o mercado como um todo", diz o executivo. O volume de refrigerante fabricado pela Ambev, incluindo Guaraná Antarctica e Pepsi, caiu 2% em 2013 e aumentou 2,1% no primeiro trimestre deste ano.

Com o aumento da renda do brasileiro, outras categorias de bebidas têm ganhado penetração. A venda de néctares (sucos com água) cresceu 7,5% em volume em 2013. Para Silvia Andrade, gerente de não alcoólicos da Brasil Kirin, não quer dizer que o refrigerante perca com isso. "O refrigerante é a maior categoria de bebidas não alcoólicas e ainda não existe uma queda na penetração nos lares brasileiros". Segundo a gerente de pesquisa da consultoria Euromonitor no Brasil, Meika Nakamura, uma parte do público migra para o suco, porque percebe essa categoria como mais saudável.

O consumo per capita de refrigerantes no Brasil é de 90 litros ao ano, bem distante da realidade dos Estados Unidos. Cada americano consumiu, em média, 160 litros da bebida gaseificada no ano passado. Mas o consumo no maior mercado de refrigerantes do mundo vem diminuindo: há cinco anos, era de 185 litros per capita. "Eles alcançaram o volume máximo per capita, mas o Brasil ainda tem espaço para crescer", diz Meika.

A preocupação com a grande quantidade de açúcar e as calorias presentes nos refrigerantes é frequentemente apontada como a causa da retração dos EUA, um país que sofre com epidemia de obesidade. Para tentar reverter as perdas no país, a líder mundial prepara o lançamento no mercado americano do Coca-Cola Life, que mistura uma quantidade de açúcar menor que o produto regular com adoçante vegetal estévia.

O produto, com rótulo verde, foi testado inicialmente na Argentina e no Chile e também chegará neste ano ao Reino Unido, mas não pode ser lançado no Brasil. Um decreto de 2009 proíbe a associação de açúcar e adoçantes na fabricação de bebidas no país, exceto para os preparados sólidos para refresco. A Coca-Cola não poderá trazer o produto se a legislação não for alterada.

Quando a Coca-Cola Zero foi lançada, em 2007, o Brasil foi o país onde as vendas cresceram mais rapidamente. Segundo Simões, o segmento de baixa caloria, no entanto, não é mais o que impulsiona a expansão dos refrigerantes da companhia no país. De cada dez Coca-Colas vendidas, uma é Zero e o restante é regular.

A Brasil Kirin lançou no Brasil, no fim do ano passado, os refrigerantes Fibz, sem açúcar e com adição de fibras. A novidade chegou inicialmente ao Sul e, em abril, começou a ser vendida em São Paulo. "O sabor continua sendo o principal atributo das bebidas não alcoólicas, mas vemos que o consumidor está buscando outros atributos", diz Silvia. A ideia é atrair consumidores que gostam de refrigerante e querem continuar consumindo a bebida, mas também buscam nutrientes. Nos últimos três anos, a Brasil Kirin também reduziu a quantidade de açúcar em seus refrigerantes.

O mercado é concentrado, com cerca de 80% das vendas nas mãos das duas maiores empresas. A Coca-Cola Brasil - dona das marcas Coca-Cola, Fanta, Kuat, Schweppes e Aquarius Fresh, entre outras - tem em torno de 60% de participação. Em seguida, está a Ambev, fabricante de Guaraná Antarctica, Pepsi, Sukita, H2OH!, entre outros. Em terceiro lugar, vem a Brasil Kirin, com Schin, Itubaína e Fibz.

A última projeção da Euromonitor - feita há um ano - era de uma alta média anual das vendas ao consumidor em torno de 4% nos cinco anos seguintes. As contas estão sendo revistas agora com base nos indicadores socioeconômicos atuais. Mas as pesquisas já indicavam que o mercado não cresceria como antes.

A previsão da Euromonitor para 2014 era de uma alta de 6% - menor que a taxa de 8% registrada em 2010, quando o Mundial foi realizado na África do Sul. No ano da última Copa, o PIB brasileiro cresceu 7,5%. Para este ano, a previsão está em 1,1%.

A Coca-Cola ainda não divulgou dados do segundo trimestre, mas, segundo Simões, a Copa do Mundo tem sido "altamente positiva". A companhia, que é a maior patrocinadora do evento, fez embalagens especiais e destacou uma equipe de 50 pessoas para acompanhar o Mundial e gerar peças de comunicação em tempo real durante o torneio, para internet e TV. O Guaraná Antarctica, patrocinador da Seleção Brasileira, decorou suas latas com a camisa do time e também está com campanhas digitais e televisivas.

Para o segundo semestre, está previsto um novo aumento na carga tributária. O reajuste na tabela de referência para o cálculo de IPI e PIS/Cofins foi adiado de junho para setembro e será feito em etapas. O setor aguarda mais detalhes para definir eventuais repasses. O aumento de imposto ocorrido no fim de 2012 é justamente apontado como um dos vilões do mercado no ano passado, pois levou ao aumento dos preços nas gôndolas. "Nesse mercado, um mínimo aumento pode reduzir o consumo significativamente", diz Simões, da Coca-Cola.

A venda de refrigerantes ao consumidor movimentou R$ 59 bilhões no ano passado, segundo a Euromonitor. Com os reajustes de preços, houve alta de 6% no faturamento em relação ao ano anterior.



Veículo: Valor Econômico


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